quinta-feira, julho 14, 2005

12. Apelo

A circunstância de irmos parar um pouco – como ficou dito no post anterior - não impede que nos faça chegar, caro leitor, questões que entenda merecerem ser tratadas, tanto para serem confrontadas com os seus autores ou responsáveis, no sentido de que as corrijam, como para servirem de exemplo, se for caso disso.

E isto, porque não queremos limitar a nossa acção à crítica do que está mal, mas, de forma igual, pretendemos aplaudir o que está bem, dando mesmo incentivo a actuações correctas, para que em Portugal se institua uma atitude afirmativa, que aplauda quando seja de aplaudir e reprove quando seja de reprovar, sempre em termos construtivos, democráticos.

Contamos consigo!

Não se deixe ficar em atitude passiva, à espera de que alguém faça o que, em Democracia, a todos em geral e a cada um em particular compete. Agora que tem a possibilidade de fazer algo que não apenas assistir como espectador não interveniente, uma vez que existe alguém que está disposto a dar voz aos seus anseios, esperanças, desilusões, recriminações e aplausos, não deixe que outros cumpram um dever que é apenas seu. Porque se o fizerem, podem estar a cumpri-lo mal, não como o caro concidadão pretende que seja cumprido.

Não podemos passar o tempo a criticar, entendendo que a culpa é sempre dos outros se, ao termos possibilidade de contribuir para que Portugal seja um país melhor, nos furtarmos a dar a nossa colaboração. Não concorda?

Pedimos-lhe que interiorize esta conceito elementar e vital, em Democracia:

Os decisores - políticos ou outros - de um país serão sempre uma emanação do conjunto dos cidadãos desse mesmo país. Valerão, pois, o que valer a sociedade em que se integram. Cabe a essa sociedade, cabe a cada um dos cidadãos que a compõem fazer com que os decisores sejam cada vez melhores, actuando em defesa dos interesses do todo em que se inserem. O cidadão comum não pode, pois e sob pena de indesculpavelmente faltar aos deveres a que está obrigado, assumir atitude de laxismo que será sempre, pelo menos, conivente com o que de mal acontece no país.

Com que legitimidade pode alguém criticar acção ou omissão seja de quem for, se lhe faltar a força moral de, a priori, ter cumprido a parte que lhe compete?

Uma comunidade civicamente consciente e actuante, actua mesmo; não se deixa ficar, "à espera de que, quem está no poder, tudo decida, porque só quem lá está é que sabe". Além de uma falsidade, isso é revelador de atitude de povos menorizados, porque submetidos a regimes ditatoriais, aprisionadores de consciências e sufocadores de mentalidades. Não é o nosso caso, pelo que nada autoriza a que tenhamos semelhante postura.

Lamentável é que, em três décadas, várias gerações de políticos não tenham sabido criar nos cidadãos, como lhes competia, esta necessidade de afirmação cívica, tanto individual como colectiva. Porque essa seria a sua primeira tarefa, a tarefa primordial, a tarefa essencial, a tarefa impostergável. Desde os bancos da escola.

Se não o fizeram, porém, porque não souberam ou não lhes conveio, mister é que os portugueses acordem da letargia em que têm estado mergulhados e se assumam cidadãos de pleno direito de sociedade de corpo inteiro, de maior idade, democrática.

Não basta dizer-se que se vive em Democracia. Palavras, o vento leva-as, como tem levado as das sucessivas, miríficas e pouco respeitáveis promessas, que, eleição após eleição, de há três décadas para cá nos conduziram à situação humilhante em que nos encontramos.

É necessário que se viva em Democracia, que se actue em Democracia, que se obrigue a que se assumam comportamentos democráticos. Se assim não for feito, a Democracia que tanto se afirma não passará de uma mascarada de carnaval, que acabará na quarta-feira seguinte à passagem do corso da nossa vergonha.

Em cinzas, para mais e como se já não bastasse tudo o resto!...
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